MVP da (meia) temporada
Publicado por em 25 janeiro, 2007
Claro que na NBA o que interessa é estar jogando bem em ABril, Maio e Junho, que é quando acontecem os jogos mais importantes, mas metade da temporada já passou, e hoje vamos dar uma olhada em quem vem se destacando nesses quase 4 meses de NBA.
MVP: A corrida, se dependesse apenas da primeira metade, estaria entre 3 jogadores: Dirk Nowitzki, Steve Nash e Kobe Bryant. Dirk é o melhor jogador do time de melhor campanha, o que sempre pesa nas votações; Nash está jogando o melhor basquete de sua vida (até melhor que nos outros dois anos em que ele foi MVP), e Kobe está carregando um time fraco (sem Odom o elenco de apoio de Bryant não é nada interessante) à quinta melhor campanha da Liga.
Alguns outros jogadores também fizeram belas primeiras metades de temporada, mas não chegaram ao nível desses 3. Gilbert Arenas, LeBron James, Dwyane Wade sofrem um certo handicap por estarem no Leste (Wade inclusive sofre pra colocar o Heat entre os 8, sem Shaq, no Leste mais fraco dos últimos tempos… Arenas conseguiu vários buzzer beaters para seu time, e aumentou suas médias de pontos mais uma vez. É um dos melhores cestinhas da atualidade, mas como a NBA demonstrou ano passado com Kobe sendo 4º na votação de MVP, muitos pontos não são garantia de nada…). Tim Duncan está aparentemente recuperado do problema no pé, que o atrapalhou temporada passada, mas o San Antonio já entrou no piloto automático rumo aos playoffs. Se houvesse um prêmio de melhor jogador dos mata-matas inteiros, não só das Finais, ele seria um forte candidato.
Se perguntados, Nash e Bryant dirão que Nowitzki é o MVP para eles. O alemão continua a bela fase que atingiu junto do Dallas Mavericks depois que Avery Johnson assumiu o comando da equipe. A defesa do time melhorou bastante (ajudando a de certa forma esconder alguns dos lapsos defensivos de Dirk), e a derrota nas últimas Finais podem ser vingadas muito breve. O fato de o ala ser o líder do melhor time lhe favorece bastante, como fez com Nash dois anos atrás.
O canadense, por sua vez, está fazendo, junto ao Phoenix Suns, uma revolução ofensiva na NBA. Há muito tempo não havia um time que jogava com tanta beleza. Se tirássemos as derrotas para o Wizards (em que Arenas empatou o jogo no finalzinho e o time perdeu na prorrogação) e para o Dallas (em que Dirk venceu o jogo com uma cesta no último segundo), o Suns estaria invicto há 32 jogos (isso mesmo!). São duas séries de 15 vitórias seguidas (uma ainda em andamento), e muitos jogos que se tornam ridiculamente fáceis, ao ponto de o Suns fazer treinamento de bandeija. Um time recheado de bons arremessadores, dos quais Nash consegue extrair o melhor basquete todos os dias, explorando sempre as melhores situações possíveis de ataque.
No entanto, Nash já ganhou dois seguidos, e dar a ele o terceiro seria de certo modo dizer que ele está para a sua época assim como Larry Bird e Bill Russell, os únicos que foram eleitos 3 vezes seguidas, estavam para as suas. Nash é bom, MUITO bom, mas não está nesse nível, e isso deve pesar na escolha de alguns jornalistas.
Kobe provavelmente também não ganhará, devido ao tratamento “especial’ que a mídia americana faz em relação a ele, mas na opinião desse mero fã de basquete, ele é o MVP dessa primeira metade de campeonato. Ainda se recuperando da cirurgia no joelho que realizou nas férias, e lidando com as contusões de Chris Mihm (que o tirou da temporada), de Vladimir Radmanovic (lesão na mão direita, que afeta seu arremesso), e posteriormente de Lamar Odom (melhor reboteiro, melhor em assistências na época da contusão, e segundo melhor pontuador) e de Kwame Brown (melhor defensor homem a homem no garrafão, além de que a saída dele deixou a rotação de garrafão muito prejudicada), Bryant vem carregando o Lakers à quinta melhor campanha da NBA, a caminho de algo entre 52 e 55 vitórias, jogando um dos basquetes mais coletivos de sua carreira. Méritos em grande parte de Phil Jackson, que fez com que o time chegasse numa situação em que Kobe não precisa explodir com 60 pontos todo dia pro time ganhar.
Hoje, Kobe, apesar de não ter companheiros muito talentosos, confia neles, e muitas vezes vemos Brian Cook arremessar mais que Bryant em primeiros tempos de jogos, pra pegar ritmo. Smush Parker, Luke Walton, Sasha Vujacic, e outros arremessam várias vezes sem marcação por jogo, fruto dos passes de Kobe. A liderança que ele tem junto a esse jovem time é fato determinante nessa campanha surpreendente do Los Angeles nessa temporada.